Criada em 20/03/2019 às 16h30 | Exportações

China não habilitará novos frigoríficos brasileiros; Abrafrigo vai se posicionar somente após conhecer alegações técnicas

A notícia de que o governo chinês decidiu não autorizar a ampliação do número de frigoríficos brasileiros que exportam para aquele mercado mexeu com a Abrafrigo que irá se posicionar somente após conhecer o inteiro teor do documento enviado ao Mapa.

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Atualmente, a China representa mais de 40% da carne bovina exportada pelo país. (Foto Arquivo Abiec)

Em nota à imprensa, a Associação Brasileira de Frigoríficos (ABRAFRIGO) esclareceu que somente irá se posicionar sobre a decisão do governo chinês de não autorizar a ampliação do número de frigoríficos brasileiros que exportam carnes para aquele mercado, a partir de inteiro conhecimento do teor do documento enviado à embaixada brasileira na China na última sexta-feira, dia 15.

Segundo a ABRAFRIGO, o documento possui 38 páginas e ainda está sendo traduzido e, por isso, “a entidade irá aguardar a sua distribuição às entidades privadas pelo MAPA, assim como a posição do ministério sobre o assunto”.

Atualmente, a China representa mais de 40% da carne bovina exportada pelo país e, na soma geral das carnes bovina, suína e de frangos, este mercado representa US$ 14,7 bilhões anuais nas exportações brasileiras. “Não temos conhecimento, ainda, de nenhuma alegação técnica do governo chinês para este posicionamento, o que virá somente com o final do trabalho de tradução”, disse o Presidente Executivo da entidade, Péricles Salazar.

Entenda o caso

Conforme apuração feita pelo jornal Valor Econômico, o serviço sanitário da China recusou a proposta feita pelo Ministério da Agricultura do Brasil para autorizar mais frigoríficos do país a exportar carnes ao país asiático.

De acordo com o Valor, a decisão da China frustra grandes frigoríficos como JBS, Marfrig e Minerva, que demonstravam otimismo com o resultado da visita feita por técnicos sanitários do país asiático em novembro do ano passado. Na ocasião, os chineses visitaram dez abatedouros de aves e bovinos.

No segmento, havia esperança de que as habilitações fossem até mais numerosas do que o total de plantas visitadas. Pequim chegou a sinalizar que as visitas serviriam como amostragem para as autoridades sanitárias do país apreciarem uma lista de mais de 70 abatedouros que estavam em processo mais avançado para a habilitação.

Neste momento, o relatório da visita sanitária da China está sendo traduzido no Brasil, mas fontes a par da resposta chinesa dizem que Pequim exigirá um novo plano de ação para os frigoríficos exportadores. Só depois disso o processo de habilitação de novas unidades será retomado. Com isso, as novas habilitações devem demorar mais.

Impactos

Nesse processo, os frigoríficos brasileiros perdem oportunidades de ocupar - ainda mais - o espaço aberto pelo surto de peste suína africana na China. Na semana passada, o presidente da Minerva Foods, Fernado Galletti de Queiroz, afirmou que os abatedouros atualmente habilitados estão no limite da capacidade. Hoje, 16 abatedouros de bovinos, 33 de frango e nove de suínos estão autorizados a vender carnes à China.

Além dos impactos comerciais, a decisão do país asiático levantou preocupações do ponto de vista diplomático. Uma fonte do setor privado ouvida pela reportagem teme que a postura de Pequim seja uma resposta do país às declarações hostis feitas por representantes do governo brasileiro - inclusive o presidente Jair Bolsonaro, que criticou a China durante a campanha eleitoral.

Na semana passada, o chanceler Ernesto Araújo provocou irritação em representantes do agronegócio ao dizer, em cerimônia no Instituto Rio Branco, que o Brasil não vai "vender a alma" para exportar soja e minério de ferro, produtos que têm a China como maior país comprador. A bancada ruralista enviou uma carta criticando as declarações.

Em meio à preocupação com as relações entre Brasil e China, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, disse no domingo, em evento em Washington, que pretende visitar o país asiático no início de maio para ampliar o número de frigoríficos autorizados. (Do site www.suinoculturaindustrial.com.br com informações do Valor Econômico e Abrafrigo)

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