Criada em 22/01/2018 às 16h19 | Exportações

Produtores do Tocantins deixaram de vender 125t de carne para Rússia; prejuízo com a suspensão é de mais de R$ 20 milhões

O país anunciou a suspensão de compra de carnes suína e bovina do Brasil em novembro de 2017, afetando 59 frigoríficos brasileiros, quatro deles do Estado do Tocantins.

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Vânia Machado
DE PALMAS (TO)
Especial para o Norte Agropecuário

A notícia de que a Rússia pode voltar a importar carne brasileira deixou o Sindicato das Indústrias Frigoríficas de Carnes Bovinas, Suínas, Aves, Peixes e Derivados do Estado do Tocantins (Sindicarnes) esperançoso com a possibilidade de retomada dos negócios com um de seus maiores compradores. A Rússia anunciou a suspensão de compra de carnes suína e bovina do Brasil em novembro de 2017, afetando 59 frigoríficos brasileiros, quatro deles do Tocantins: Minerva, do município de Araguaína; Plena, de Paraíso do Tocantins; Cooperfrigu, de Gurupi; e Boi Brasil, de Alvorada.

Em entrevista ao Norte Agropecuário, o presidente do Sindicarnes, Oswaldo Stival Júnior afirmou que a restrição imposta pelo mercado russo trouxe uma queda na exportação tocantinense de aproximadamente 125 mil quilos, o equivalente a R$ 20 milhões.

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“O mercado russo é extremamente importante para o Brasil e, principalmente, para o Tocantins. A Rússia é a maior importadora dos produtos das nossas indústrias em valor agregado e a restrição trouxe uma queda na exportação tocantinense, até a data de hoje, de aproximadamente 125 mil quilos, o que representa queda de quase R$ 20 milhões em faturamento”, reiterou.

Questionado se os frigoríficos tocantinenses haviam encontrado outro mercado para suprir essa perda, Stival Júnior enfatizou que o mercado russo tem o maior valor agregado. “Os frigoríficos tocantinenses, embora procurem outros mercados, não conseguem exportar na mesma quantidade e valor agregado. O mercado russo tem valor agregado maior do que os mercados em que nós estamos habilitados como Egito e Emirados Árabes. Esse é o grande motivo pelo qual não conseguimos suprir essa baixa em valor agregado dentro mercado exportador”, ressaltou.

A notícia então de uma possível reabertura anunciada pelo Ministério da Agricultura e divulgada pelo Norte Agropecuário trouxe ânimo ao Sindicarnes. “Nós estamos muito esperançosos e contentes com essa notícia, embora não seja garantida oficialmente a reabertura. Vamos aguardar os próximos trinta dias atentos à articulação do Ministério da Agricultura brasileiro junto ao governo russo para que possa ter êxito e garantir a reabertura desse mercado”, concluiu Stival Júnior.

ENTENDA O CASO

Na última quinta-feira, 18, o Ministério da Agricultura divulgou notícia de que o secretário de Defesa Agropecuária do Mapa, Luís Rangel, entregou pessoalmente ao chefe do Serviço Federal de Supervisão Veterinária e Fitossanitária (Rosselkhoznadzor) da Rússia, Sergey Dankvert, as informações consolidadas das investigações brasileiras sobre alegadas detecções de ractopmina (promotor de crescimento autorizado no Brasil, mas não aceito na Rússia) em produtos exportados ao país. O chefe do Serviço Sanitário russo comprometeu-se a “avaliar com o máximo de celeridade, uma vez que o Brasil é um importante fornecedor” a reabertura do mercado à carne brasileira.

O encontro aconteceu na Alemanha, onde Rangel integra comitiva do ministro Blairo Maggi, para participar do Fórum Global para a Alimentação e a Agricultura (GFFA). De acordo com Luis Rangel, houve interesse em informações finais sobre a recente abertura de mercado para o trigo da Rússia e sobre a possibilidade de autorizar plantas adicionais para importação de pescado russo. As primeiras importações de trigo deverão acontecer em breve, segundo o secretário.

As autoridades sanitárias se comprometeram a avançar o máximo possível nas questões técnicas permitindo aos mercados se ajustarem da melhor forma. Luis Rangel disse que a reunião ocorreu em clima cordial e que foi apresentado um conceito de parceria entre os países em consideração à qualidade do produto brasileiro.

O uso da ractopamina foi o motivo alegado pela Rússia por suspender a compra de carne brasileira. Após a suspensão temporária de importações de carne brasileira pela Rússia, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) afirmou, em nota, que seus associados realizam controle de resíduos químicos de ractopamina com o objetivo de cumprir os critérios do mercado russo.

A entidade lembrou que a comercialização da ractopamina e de outros betabloqueadores para bovinos está suspensa desde o fim de 2012 pelo governo brasileiro. A Abiec também reforçou no comunicado que desde 2013 não há histórico de qualquer tipo de notificação pelas autoridades russas referentes ao uso de ractopamina em bovinos.

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