Criada em 14/08/2017 às 12h14 | Agronegócio

Adeus, Mário Diogo de Mello!

Pai do presidente do Banco da Amazônia foi prefeito de Boca do Acre (AM). "Somos muito grato a Deus por ter tido o privilégio de tê-lo ao nosso lado nos seus 104 anos de vida (...) de poesias e de suas convicções políticas, deixou para os filhos e as próximas gerações sua contribuição."

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Morreu, aos 104 anos, Mario Diogo de Melo, pai do presidente do Banco da Amazônia, Marivaldo Melo. O falecimento, por causas naturais, ocorreu na manhã desta segunda-feira, 14, em Manaus (AM). Ele foi prefeito de Boca do Acre (AM). O velório será na Assembleia Legislativa do Amazonas a partir das 13h e amanhã, em Boca do Acre (AM), 10h. 

"Comunico a passagem do meu pai Mario Diogo de Melo para o descanso celestial. Somos muito grato a Deus por ter tido o privilégio de tê-lo ao nosso lado nos seus 104 anos de vida e uma vida de amor, retidão, enfim cumpriu sua missão, escreveu livros de sua história, da sua amada Boca do Acre, de poesias e de suas convicções políticas, deixou para os filhos e as próximas gerações sua contribuição para uma sociedade melhor. Seu enterro será em Boca do Acre e aqui em Manaus o velório será na Assembléia Legislativa do Amazonas", informou Marivaldo Gonçalves de Mello.

Em março deste ano, Marivaldo publicou em seu perfil no Facebook declaração emocionante sobre o aniversário do pai. Leia na íntegra:

Bom dia, um dia feliz, hoje meu pai completa 104 anos e em sua homenagem escrevi esse texto. Abraço

Hoje à nossa família está em festa e também nossa Boca do Acre, porque com a graça do arquiteto do Universo, temos o privilégio de termos um pai que completa 104 anos. Esta linda jornada começou no dia 15 de março de 1913 no seringal 11 de junho, a margem direita do Rio Purus. Mario Diogo, um dos 11 filhos de Vicente Diogo e Francisca D'Vila, nasceu com a determinação de vencer as adversidades que a vida, naquela época, poderia lhe impor.Venceu vários problemas de doenças e foi alfabetizado pela sua mãe, que usava caixas de mercadorias que vinham de Belém e Manaus para abastecer os seringais da Amazônia. Trabalhou como seringueiro, lenhador, pescador e caçador. Sua determinação em busca do conhecimento foi uma marca na sua personalidade. Todos os dias ia, em um canoa remando, do seringal 11 de junho para Boca do Acre com o objetivo firme em estudar. Fez isso por três anos e essa foi a única oportunidade que tevê em sua vida de sentar em um banco de escola.

Depois disso não parou mais, lendo muito e ouvindo rádio, descobriu o mundo, sempre um homem antenado com os acontecimentos, ainda lembro que nos chamava para ouvir as notícias da Voz da América e da BBC de Londres e depois ainda nos explicava cada notícia importante que ouvíamos, pois entendia que a Educação é a única forma de transformar as pessoas e construir uma sociedade equilibrada e evoluída. Investiu todos os seus recursos que conseguia ganhar, na educação de seus 10 filhos e essa foi a melhor e maior herança que nos deixou.

O seu conhecimento o levou a vida pública. Exerceu vários cargos como o de Promotor Público Concursado e hoje aposentado nessa função. Preciso aqui esclarecer esse feito, como pode ser Promotor sem ser Advogado? Explico que isso foi possível por ser autodidata do direito, o rábula, na falta de advogados na época, fazia a defesa de pessoas e empresas que tinham problemas na justiça. O Governo do Amazonas abriu concurso para a vaga de Promotor e permitia que o rábula se inscrevesse. Desta forma, passou e exerceu a função por longos anos, mais nunca deixou de exercer sua cidadania política e sempre se posicionou politicamente. Nunca se acovardou diante da injustiça e da malversação dos recursos públicos e por conta desse seu posicionamento, foi perseguido e demitido da função.

Quando assumiu o Governo do Estado em 1964, Arthur Cesar Ferreira Reis, o reintegrou na função corrigindo a injustiça cometida por conta de seus posicionamentos políticos.

Como não gosta de bebida alcoólica, elegeu a política sua cachaça, sua maior paixão, seu vício maior, mais saudável em todos os sentidos. Foi Prefeito, vereador e Deputado Estadual. Falar dos seus feitos daria um capítulo à parte, assim, vou me prender apenas na sua luta por uma política decente e com transparência. Cresci vendo a luta por sua cidade, seu Estado e seu país, sempre se posicionando pensando no melhor para o coletivo e nunca olhando os interesses pessoais. Foi fiel a seus princípios, cumprindo sempre com sua palavra e convicções, nunca teve inimigos, e sim, adversários políticos. Nunca guardou mágoas ou rancores daqueles que o perseguiram e cometeram injustiças contra ele. Foram muitos embates de toda ordem, mais sempre perseverou em trilhar o caminho do bem, da justiça, da razão e o da democracia.

Quando nasci, meu pai tinha minha idade de hoje, 52 anos. Desde criança queria lhe acompanhar em suas viagens e suas atividades diárias e muitas vezes não era possível. Isso me deixava triste e até adoecia, a reação era forte e não entendia muito esse sentimento. Só depois pude entender porque reagia dessa forma. Era a fascinação que tinha pelo que ele representava para mim, sua bondade, sua forma de nos educar. Nunca levantou sua mão para nos bater, o que naquela época era natural. Mas ele optava pelo diálogo e o exemplo. Encaminhou-me na vida para ser um homem do bem, do amor e de caminhos retos. Devo a ele tudo que sou, seus conselhos e exemplos, me fizeram um cidadão.

Enfim todas as homenagens que poderia fazer a ele hoje seriam pequenas, diante da grandeza de um homem que viveu realizando obras maravilhosas, escreveu a história da sua cidade, da sua vida, construiu uma família de 10 filhos, todos bem educados, fez uma carreira pública exemplar e ainda continua até hoje preocupado com o nosso futuro. Enfim uma vida dedicada a construir uma sociedade justa e democrática.

Para encerrar, podemos nos perguntar, qual o seu segredo para viver 104 anos?. Vou me arriscar a responder: primeiro, fazer tudo com amor. Um dia desses minha mãe perguntou a ele o que ele queria. Ele respondeu: você !. Ainda sente amor por minha mãe apesar dos mais de 68 anos de casados. Segundo: Ter sempre um objetivo na vida, e estar as voltas com um novo projeto. Além disso: fazer sempre o bem, não ter rancor, não guardar mágoas, sempre perdoar, trabalhar sempre, não se aposentar, ter disciplina, sempre dormir bem, sempre se exercitar, comer pouco e seguir bem as orientações médicas.

Não poderia deixar de citar minha mãe, Dona Flor, que sempre esteve ao lado de meu Pai, o apoiou e lhe deu amor e carinho, sendo assim, sua inspiração.

Obrigado Mario Diogo, você sempre será nosso timoneiro, e sei que as novas gerações sempre irão te admirar pelo seu legado.

Marivaldo Melo"

 

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