Criada em 05/07/2018 às 17h42 | Agronegócio

Projeto São João já recebeu R$ 265 milhões em investimentos, mas produz em apenas mil dos 3,6 mil hectares de área irrigada

Ao anunciar mais R$ 5 milhões para o empreendimento, governador Mauro Carlesse disse que o projeto foi mal executado e sofreu alterações de finalidade. “Faltou compromisso com o projeto”, disse. O produtor rural Marcos Ribeiro ressaltou o descaso com o projeto ao longo dos anos.

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O governador Mauro Carlesse assinou ordem de serviço para o São João no valor de R$ 5 milhões; não faltaram críticas a gestões anteriores sobre o que classificaram de descaso com o local (foto: Ezequias Araújo/Secom)

Criado em 2001, o projeto de fruticultura São João, em Porto Nacional, já recebeu mais de R$ 265 milhões em investimentos desde o início das atividades. Dos 3.654 hectares de área irrigada e potencial de produção de até 40 toneladas de alimentos por hectare, atualmente o São João produz em apenas 1.000 hectares com culturas de abacaxi, banana, melancia, mandioca, maracujá e manga.

As informações são da Secretaria de Comunicação do Estado do Tocantins (Secom) em material de divulgação distribuído à imprensa na tarde desta quarta-feira, dia 4, em que anuncia mais R$ 5 milhões para o local.

Ainda conforme a Secom, o São João tem tecnologia avançada de irrigação por gotejamento e microaspersão, para a produção de hortifrutigranjeiros e frutas em 326 lotes para pequenos produtores e 37 empresariais. No entanto, os equipamentos instalados nunca passaram por manutenção, informa a atual gestão do Estado.

MAIS R$ 5 MILHÕES

Nesta quarta, o governador Mauro Carlesse assinou a ordem de serviço para revitalização do sistema de irrigação do projeto. Serão investidos cerca de R$ 5 milhões do Programa de Desenvolvimento Regional Integrado e Sustentável (PDRIS), do Banco Mundial. “O Brasil tem que conhecer o Tocantins. E, para isso, estamos investindo na qualidade da nossa produção, para garantir o selo de qualidade do Estado, porque aqui temos tudo favorável: clima, solo e água”, afirmou.

Ainda conforme a Secom, Carlesse destacou que o potencial do projeto São João poderia ser referência para o Brasil, mas foi mal executado e sofreu alterações de finalidade. “Faltou compromisso com o projeto, mas nós vamos mudar essa realidade redirecionando as ações e recuperando os equipamentos sucateados dando a oportunidade aos pequenos, médios e grandes de produzir e ter retorno dos investimentos”, assegurou o governador, que percorreu a área, visitou produtores e conheceu de perto a estação central de bombeamento da água do lago da Usina Hidrelétrica Luiz Eduardo Magalhães e estações de pressurização.

O projeto São João foi inaugurado na gestão do ex-governador Siqueira Campos.

MAIS CRÍTICAS

O secretário de Estado do Desenvolvimento da Agricultura e Pecuária, Thiago Dourado, explicou que desde a implantação, o projeto não contou com uma gestão correta e a intenção agora é trabalhar para que ele tenha gestão própria. “Precisamos concluir as obras de infraestrutura, que passa necessariamente pela revitalização da parte de infraestrutura e resgate da parte de irrigação”, explicou, acrescentando que, em um segundo momento, será trabalhada a estrutura de capacitação dos produtores para que possam produzir alimentos de qualidade, realizar o manejo correto da estrutura de irrigação e consolidar a comercialização da produção.

DESCASO, DIZ PRODUTOR

O produtor Marcos Ribeiro, representante dos produtores locais, também ressaltou o descaso com o projeto ao longo dos anos. “A degradação dos equipamentos levou à desconfiguração do projeto e essa revitalização vai permitir a retomada do caráter de produção de alimentos para o qual foi concebido. Hoje, ele está totalmente comprometido.

Então essa retomada é vista com esperança de continuarmos com os nossos plantios”, pontuou.

O SÃO JOÃO

O Projeto de Irrigação São João está localizado no município de Porto Nacional, distante 25 km de Palmas. O Projeto teve início no ano de 2001 e compreende a implantação de infraestrutura para irrigação de uma área de 3.654 hectares para cultivo de frutas. As obras do projeto consistem em sistema de captação do Lago da UHE Luís Eduardo Magalhães, com canal de chamada e estação de bombeamento principal, estações pressurizadoras, sistemas de distribuição e drenagem de água. (Com informações da Secom)

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