Criada em 18/02/2020 às 22h41 | Equinos

Sem laboratório credenciado para mormo no Tocantins, criadores têm que pagar mais caro e sofrem com demora dos resultados

“O Tocantins é carente em relação a laboratórios credenciados do Mapa. Temos alguns que fazem exames para anemia, mas para o mormo não temos nenhum”, disse a médica veterinária Mary Jane Abreu. Unidades mais próximas são em São Luís (MA) e Brasília (DF).

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“A Adapec tem feito excelente trabalho frente às notificações de casos, mas deve ser feita intensificação de fiscalização volantes e de eventos em que há aglomeração de animais”, diz Mary Jane (foto: Fotos: Adapec e Arquivo Pessoal)


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O mais recente caso de mormo no Tocantins confirmado pela Agência de Defesa Agropecuária (Adapec) em Formoso do Araguaia (277 km de Palmas) chama a atenção para um problema grave: necessidade do credenciamento de laboratório para detectar a doença no Estado. O Tocantins não conta com laboratório para tal finalidade. Os mais próximos ficam em São Luís, capital do Maranhão, ou Brasília (DF). “O Tocantins é carente em relação a laboratórios credenciados do Mapa [Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento]. Temos alguns que fazem exames para anemia, mas para o mormo não temos nenhum”, disse a médica veterinária Mary Jane Abreu. Ela é proprietária do Laboratório Cerrado, de Palmas(TO), o único que está em processo de acreditação no Tocantins, o que para suprir a carência do Estado.

Um dos grandes benefícios para os criadores de equídeos e demais envolvidos com a atividade é a redução dos custos e do tempo de retorno dos laudos laboratoriais. Cada exame, por exemplo, custa R$ 45. Já o frete, varia de R$ 70 a R$ 100, e o tempo para entrega dos resultados pode chegar a 15 dias. Com um laboratório credenciado, além do custo, a redução da entrega do resultado beneficiaria os criadores.

SAIBA MAIS

Tocantins já registrou 36 casos de mormo desde primeiro, em 2015; nota técnica é emitida sobre confirmação em Formoso

LEIA AQUI A NOTA TÉCNICA SOBRE CONFIRMAÇÃO DE CASO EM FORMOSO DO ARAGUAIA

VEJA TAMBÉM: Após quase três anos, Estado do Tocantins volta a registrar caso de mormo; Adapec informa ter tomado as providências

CLIQUE AQUI E SAIBA MAIS SOBRE A DOENÇA DE MORMO NO TOCANTINS

Em entrevista ao Norte Agropecuário, a veterinária afirmou que a Adapec deve dar total atenção ao fato mas, para a sociedade, não é algo alarmante em termos de contaminação ao ser humano. Para a médica, os problemas maiores são econômicos, com a restrição de trânsito para eventos como feiras agropecuárias. “A Adapec tem feito excelente trabalho frente às notificações de casos, mas deve ser feita intensificação de fiscalização volantes e de eventos em que há aglomeração de animais”, disse.

Ela considera que os produtores devem se conscientizar da necessidade de adquirir animais com comprovação de exames e, por exemplo, incorporarem no plantel após a quarentena. “Os criadores devem ser conscientes e comprometidos realizando exames periódicos e só adquirir animais com exame negativo para o mormo”, comentou.

Ela critica a existência dos chamados “bolões”, os eventos clandestinos, organizados de última hora no interior sem a devida fiscalização por parte das autoridades de defesa agropecuária. “Eventos clandestinos são um risco. Há também promiscuidade grande do trânsito de animais entre as propriedades.”

OUTRO LADO

O Norte Agropecuário fez questionamentos ao governo do Estado, por meio da Adapec e à Fundação de Amparo à Pesquisa (Fapt) sobre o tema. Confira as respostas:

Qual é o papel do governo do Tocantins na viabilização do laboratório?
Na Gestão do Governo Mauro Carlesse, todos os trâmites necessários foram realizados para retomada da obra, como a liberação da contrapartida financeira do Estado e a aquisição de equipamentos.  A conclusão da obra está prevista para julho de 2020, o que demostra o compromisso e a agilidade do Governo para que o Tocantins possa ter um laboratório próprio para facilitar a logística, diminuir custos e reduzir o tempo de espera pelos resultados dos exames para o produtor rural do Tocantins. O empreendimento conta com um investimento de R$ 1.244.212,00 (Um milhão, duzentos e quarenta e quatro mil e duzentos e doze reais) oriundo da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), governo federal com contrapartida do governo do Tocantins por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa (Fapt).O Lara vai favorecer a realização de 18 exames como Mormo,  Exame de Brucelose, Raiva, Febre Aftosa, Tuberculose, Diarreia Bovina a Vírus (BVD), Leptospirose, Anemia Infecciosas Equina, Toxoplasmose, Mastite, Realização de antibiogramas, Rinotraqueite Infecciosa Bovina (IBR) Leucose, Exame de Clostridioses, Artrite Encefalite Caprina a Vírus (CAEV), Maedi-Visna, Andrológico e bromatoógicos.

No que contribuiria , para a Adapec, a implantação de laboratório?.
A contribuição seria mais para o produtor rural realizar exames particulares, porque a Adapec obrigatoriamente deve enviar as amostras de doenças de controle oficial para laboratórios oficiais do Mapa.

O que a Adapec ou o governo do Estado tem feito para ajudar a viabilizar o laboratório?
Por gentileza direcionar a pergunta à FAPT.

Hoje, qual laboratório a Adapec ou o governo do Estado se utiliza para exames desta e de outras doenças? Hoje o Tocantins não está desassistido quanto ao exame confirmatório oficial de Mormo, nós temos os Lanagros do Pará e de Recife. Quando um laboratório particular realiza o exame e o resultado é diferente de negativo, o soro é encaminhado diretamente ao Lanagro Recife, que é o único laboratório com certificação internacional para exame de mormo. Quando é emitido o resultado do laboratório oficial não cabe mais questionamentos, este resultado é enviado diretamente ao órgão de defesa do estado onde foi colhido o material, que procederá com o sacrifício do animal e coleta de material para saneamento dos demais animais da propriedade (para a doença mormo o saneamento é obrigatório em um Lanagro). Quanto às outras doenças, para cada doença de controle oficial existe um laboratório credenciado ou de referência para realizar os exames. Conforme a legislação, a Adapec recebe as amostras de materiais biológicos que precisam de confirmação das doenças e as encaminham aos laboratórios de referência do Mapa.

Quanto a Adapec ou o governo do Estado gastou em 2019 com a realização de exames?
Foram gastos diretamente com a realização de exames de todas as doenças de controle oficial: raiva, febre aftosa, Peste Suína Clássica, Influenza aviária e Newcastle, Anemia Infecciosa Equina e Mormo o valor de R$19.800,00 porque obrigatoriamente os exames devem ser enviados aos laboratórios de referência do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Neste valor está incluso todo material utilizado para o envio das amostras e o transporte.

Quantos exames foram feitos em 2019?
Foram examinados 849 animais em 2019.

Quanto a Adapec ou o governo do Estado gastou em 2018 com a realização de exames?
Foram gastos diretamente R$ 25.200,00.

Quantos exames foram feitos em 2018?
Foram examinados 503 animais em 2018.

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