Criada em 28/07/2018 às 10h55 | Meio Ambiente

“Se quer conhecer vegetação nativa no Brasil não vá a parques, visite uma propriedade rural, são eles que estão protegendo”

O presidente da SRB destacou que o Brasil está entre os líderes no uso de novas tecnologias para o ambiente tropical, com a adoção de práticas modernas e seguindo as bases do Código Florestal, legislação mais exigente entre os Países agroexpoertadores.

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Brasil lidera uso de tecnologias na preservação de terra e água, afirma o presidente da Sociedade Rural Brasileira no GAF18 (foto: CNA/Divulgação)

O uso da terra e dos recursos hídricos no Brasil precisa ser debatido com uma visão de futuro, afinal, o tema é determinante para a construção da imagem do País na comunidade internacional. O conceito foi compartilhado pelo presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), Marcelo Vieira, responsável por mediar um painel sobre o tema nesta segunda-feira, 23 de julho, durante o Global Agribusiness Forum (GAF18). No debate, Vieira enfatizou que o setor precisa aprender a difundir melhor dentro e fora do País a realidade de produção, mais responsável e sustentável em relação aos principais concorrentes no mercado.

O presidente da SRB destacou que o Brasil está entre os líderes no uso de novas tecnologias para o ambiente tropical, com a adoção de práticas modernas e seguindo as bases do Código Florestal, legislação mais exigente entre os Países agroexpoertadores. Assim, o produtor rural brasileiro consegue expandir sua produtividade sem explorar economicamente os recursos de água e vegetação nativa da propriedade. “Temos motivos para sermos encarados como referência em alimento, responsabilidade ambiental e inovação no campo”, diz Vieira.

Segundo Gustavo Spadotti Castro, supervisor do Grupo de Gestão Territorial Estratégica (GGTE) da Embrapa Territorial, o Brasil destina 30% de suas terras para preservação por meio de decretos governamentais. Em outros países de dimensões territoriais, como Austrália, Estados Unidos, China e Candá, a média não chega a 10%. “Se quer conhecer vegetação nativa hoje no Brasil não vá a parques, visite uma propriedade rural, são eles que estão protegendo”, destaca o especialista da Embrapa.

Ainda de acordo com Spadotti, os produtores brasileiros preservam 218 milhões de hectares, 25,6% do território do país, área equivalente à superfície de 46 países europeus. Em São Paulo, as áreas dedicadas à preservação nos imóveis rurais chegam a quase 4 milhões de hectares, o que equivale a 17% da área do estado. “Ninguém dedica mais recursos e tempo à preservação ambiental que o produtor rural no Brasil”, diz Spadotti.

Durante o painel, o embaixador da Índia no Brasil, Ashok Das, relatou que seu País atravessa a pior crise hídrica da história. Segundo Das, os indianos enfrentam uma situação alarmante com a redução do lençol freático e a disputa pela água entre Estados. Em 2030, a previsão é que a demanda será o dobro da oferta de água e, em 2050, a demanda de 1.180 bilhões de metros cúbicos superará a disponibilidade total de água no país. “O Brasil sempre foi uma referência para nós nesse assunto”, diz o embaixador.

Para Alysson Paolinelli, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho( Abramilho), o manejo da água e da terra no Brasil deve ser cada vez mais fiscalizado pelo próprio produtor rural e não apenas pelo Estado. “Orientado pela inovação, o agricultor brasileiro conseguiu grandes feitos mesmo sem expandir sua área agricultável”, diz Paolinelli. “O Brasil sofre críticas infundadas no exterior mesmo sendo o País mais conservador do mundo, precisamos identificar o que está errado”. (Da SRB)

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