Criada em 09/07/2018 às 11h10 | Mercado

Reflexo da greve dos caminhoneiros nos preços dos principais produtos no país deve se dissipar este mês, afirma especialista

A inflação pode até ficar abaixo do esperado com os preços da gasolina e do gás voltando ao normal. “Deve haver descida dos preços dos produtos que sofreram efeito direto”, disse economista Márcio Salvato, do Ibmec.

Imagem
Especialistas esperam queda dos preços ainda este mês (Antonio Cruz/ Agência Brasil)

Kelly Oliveira
DE BRASÍLIA (DF)

O efeito da greve dos caminhoneiros na inflação deve começar a se dissipar ainda neste mês, com a reversão da alta de preços da gasolina e do gás de cozinha, por exemplo, segundo avaliação de especialistas.

Em junho, a inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), registrou alta de 1,26%, a maior taxa para o mês desde 1995, de 2,26%. O resultado superou a previsão de instituições financeiras consultadas pelo Banco Central (BC), que projetavam variação de 1,15%. Também ficou acima da previsão do BC, que era 1,06% para o mês passado.

Em maio, o efeito do desabastecimento provocado pela greve dos caminhoneiros, no final do mês, se somou às pressões sobre os preços de energia e combustíveis. Com isso, o IPCA teve alta de 0,40%. Em junho, a aceleração ocorreu devido a intensificação dos efeitos da paralisação sobre os preços de alimentos e combustíveis e a da mudança de bandeira tarifária.

O coordenador do curso de economia do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec), Márcio Salvato, explicou que a “explosão” da inflação em maio e junho ocorreu devido ao aumento da procura por produtos como a gasolina e o gás de cozinha. “Houve excesso de demanda porque as pessoas estavam querendo fazer estoque. Produtos como gasolina, gás de cozinha subiram. Além disso, teve o efeito de mudança na estrutura de custos com frete”.

Para Salvato, a inflação pode até ficar abaixo do esperado com os preços da gasolina e do gás voltando ao normal. “Deve haver descida dos preços dos produtos que sofreram efeito direto”, disse. Ele destacou que não tem risco se perder o controle de inflação por causa dos efeitos da greve dos caminhoneiros.

A INFLAÇÃO

Segundo o Relatório de Inflação, divulgado em junho pelo BC, a partir deste mês, a despeito dos efeitos defasados da alta do dólar observada desde o final de abril e do aumento projetado para passagens aéreas, em julho, espera-se por taxas de inflação mais baixas. Isso deve acontecer devido à reversão dos efeitos do desabastecimento gerado pela greve dos caminhoneiros, a sazonalidade favorável dos preços de alimentos e a elevada ociosidade da economia.

Para o BC, a retomada da atividade em ritmo mais gradual que o esperado contribui para manutenção da inflação em patamar baixo, mesmo com o efeito pontual da greve dos caminhoneiros.

Para este mês, a previsão das instituições financeiras consultadas pelo BC é que o IPCA fique em 0,35%, e caia para 0,12%, em agosto.

“Esperamos que já em julho esse efeito comece a ser diluído. A gente teve essa pressão agora em junho, mas em julho já deve reduzir”, disse o economista Marcio Milan, da Tendências Consultoria.

Por ser considerada uma alta pontual, o economista lembra que o risco de descumprimento da meta de inflação é zero. A meta é 4,5%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. “Mesmo com outros acontecimentos, como câmbio e as tarifas administrativas, o risco é zero. As projeções continuam abaixo do centro. Nossa projeção é que o IPCA fique em 3,7% neste ano”, disse Milan. (Da Agência Brasil)

Tags:

Comentários


Deixe um comentário

Redes Sociais
2018 Norte Agropecuário