Criada em 29/06/2017 às 00h21 | Pecuária

Após queda de 11% no preço da arroba do boi em 45 dias, criadores de Araguaína discutem saída para mercado pecuário

“O gado na região norte como em todas as outras sofreram um achatamento de preço de forma desleal, pois a carne no atacado e no varejo se mantém estáveis”, disse Márcio Cotini, um dos organizadores do encontro nesta noite, em Araguaína.

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Os preços internos, que tradicionalmente caem no período de inverno, desabam ainda mais (foto: AgoraRN\Divulgação)

Em meio a um achatamento do preço do boi no Tocantins para o produtor, pecuaristas da região norte se reúnem na noite desta quinta-feira, 29, para discutir a crise no mercado. Nos últimos 45 dias a queda do preço para o criador foi de 11%, informa o zootecnista e produtor rural Márcio Cotini, diretor financeiro da Valecoop (Cooperativa de Produtores Rurais do Vale do Araguaia). 

“Desde 2014 o cenário político e econômico vem prejudicando o agronegócio como um todo e nós do setor primário estamos pagando essa conta de forma hercúlea a cada ano. Com estreitamento de nossas margens e custos elevados. O gado na região norte como em todas as outras sofreram um achatamento de preço de forma desleal, pois a carne no atacado e no varejo se mantém estáveis”, disse Cotini, que organiza a reunião juntamento com outros criadores.

O encontro será realizado a partir das 19h, no Tatersal do parque de exposições Dair José Lourenço, no município de Araguaína. “Vamos discutir medidas curto e a longo prazo para não permanecermos tanto a mercê do mercado”, disse.

Conforme dados da Secretaria da Agricultura do Tocantins, o preço da arroba do boi gordo que chegou a R$ 120,00 a R$ 125,00 no Estado na semana passada, está atualmente, conforme informações de produtores ao Norte Agropecuário, em R$ 118,00 (para 30 dias) no norte e R$ 117,00 (para pagar em um mês) no sul, com 2,3% de desconto do Funrural. Isso resulta em valores de arroba em R$ 115,00 e R$ 114,00 respectivamente.

Recentemente, o Norte Agropecuário publicou análise sobre o mercado do boi e a crise vivida, entre outros motivos, após a retração do mercado causada pela operação Carne Fraca e que se agravou após a delação premiada dos donos do grupo JBS. Os preços internos, que tradicionalmente caem no período de inverno, desabam ainda mais. Diante disso, quem arca com os prejuízos é o pecuarista.

IMPACTO DA CRISE

Segundo Márcio Cotini, a classe sofre sérios impactos dessa situação. “O impacto é a diminuição nos investimentos e contenção de despesas diminuindo muito a produtividade, levando a evasão da atividade.”

A questão da instabilidade política do país também é um dos motivos pelo cenário atual, avalia o criador. “O setor primário ganhou de presente recentemente a volta do FUNRURAL , que é recolhido no ato da venda de mercadoria( 2,3%). O setor que leva a responsabilidade, sem lucratividade, de tirar o país da corrupção do lamaçal que o governo nos chafurdou”, comentou.

Cotini também comentou os reflexos da crise que envolve o grupo JBS, maior produtor de proteína animal do mundo, que, consequentemente, lidera o mercado brasileiro da carne no Brasil. “O Fator JBS é nacional e afeta todos os estados produtores, pois respondia por 25% do abate nacional. O governo criou um monstro para utilizá-lo lavando dinheiro público, agora ele está sem controle querendo destruir seu criador. Mas o custo é nosso com quedas de preço perto de 30%. E pior a incerteza nos deixa sem saber que rumo tomar.”

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