Criada em 27/09/2018 às 09h47 | Agronegócio

Nasa monitora avanço da soja no Matopiba; desmatamento é temor; estudo indica que plantio ocorre mais em áreas abertas

Imagens da fronteira agrícola brasileira são captadas pelo instrumento MODIS (Moderate Resolution Imaging Spectroradiometer), que está a bordo do satélite Aqua, da Nasa, em setembro de 2018. Estudo, porém, aponta que o plantio da soja está cada vez mais sendo feito em áreas já abertas.

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A Nasa, agência espacial americana, monitora a expansão do plantio de soja no Brasil, com destaque para análises específicas sobre a situação na região do Matopiba, formada pelos Estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. 

O mapeamento mostra os pontos verdes, que são o tamanho das plantações de soja no cerrado antes da moratória para a Amazônia, entre 2001 e 2006. Já os pontos em roxo surgiram depois que a medida já estava valendo, de 2007 em diante (os dados vão até 2013). As informações são da revista Superinteressante.

Em outra imagem, está a região do Matopiba. Ela foi feita pelo instrumento MODIS (Moderate Resolution Imaging Spectroradiometer), que está à bordo do satélite Aqua, da Nasa, em setembro de 2018. No destaque está a região oeste da Bahia, parte do Matopiba que conta com maior número de propriedades focadas na produção de soja.

A área denominada Matopiba tem 6 milhões de habitantes e 340 mil quilômetros quadrados de extensão. Entre 2010 e 2015, as exportações da soja cultivada por lá mais que dobraram: foram de 3,5 milhões de toneladas anuais a 7,1 milhões de toneladas. Na safra do verão de 2014, a região foi responsável por quase 10% dos grãos produzidos no país – algodão e arroz são outras culturas expressivas.

Em maio de 2018, o Ibama (Instituto Nacional de Meio ambiente) multou 78 pessoas que plantavam, comercializavam ou financiavam atividades em áreas embargadas na região. A multa, que soma R$ 105,7 milhões, será cobrada de empresas importantes do agronegócio nacional, como Cargill e Bunge.

ÁREAS JÁ ABERTAS

Recentemente, o Norte Agropecuário divulgou resultado de estudo que aponta: o plantio da soja está cada vez mais sendo feito em áreas já abertas. Entre 2014 e 2016, apenas 6,8% da área plantada de soja no bioma do cerrado (201,5 mil hectares) ocorreu sobre desmatamentos. Já, 2,74 milhões de hectares desmatados no mesmo período não foram anteriormente ocupados com soja.

CARTA DA ABC

Uma carta pública assinada pela ABC (Academia Brasileira de Ciências) e pela SBPC (Sociedade Brasileira de Progresso para a Ciência) em abril de 2017 argumenta que o cerrado é o tipo de savana mais ameaçado pela atividade humana em todo o mundo. Também é o mais rico em espécies – o Ministério do Meio Ambiente fala em mais de 1000 tipos diferentes de pássaros e mamíferos. Ironicamente, nós conhecemos melhor os mamíferos de savanas africanas, como elefantes e girafas, que os tamanduás, antas e quatis que vivem por aqui.

“Áreas outrora ocupadas pela vegetação nativa são agora ocupadas, sem planejamento, por pastagem, agricultura, silvicultura, mineração e expansão urbana, em muitas situações resultando na expropriação dos territórios das populações indígenas e tradicionais”, afirma a carta. A principal reivindicação era de que pelo menos 20% de áreas se tornassem protegidas por leis de conservação.

A SOJA

Para superar os Estados Unidos e se tornar o principal produtor de soja do mundo na última safra, o Brasil expandiu por anos as lavouras destinadas ao grão. Só entre 2000 e 2014, a área destinada a plantar essa commodity no interior do País – em estados como Bahia, Piauí e Maranhão – cresceu 87%. Boa parte dela abrigava vegetação nativa, originalmente.

Pelo fato de áreas desmatadas da Amazônia serem protegidas por uma moratória desde julho de 2006, o bioma mais visado pelo avanço do agricultura em larga escala acabou sendo o cerrado. Hoje, a produção de grãos por lá é quatro vezes maior que a da Amazônia.
Laerte Guimarães Ferreira, pesquisador da Universidade Federal de Goiás (UFG), afirmou à Revista Época em 2017 que quase 50% da cobertura vegetal original do cerrado deu lugar a plantações nos últimos 40 anos. A soja representa, atualmente, 90% de todos os cultivos das savanas brasileiras.

O cerrado se estende por 18 estados e representa cerca de 22% do território nacional, somando mais de 2 milhões de quilômetros quadrados. Estima-se que só 8,21% disso esteja, atualmente, fora dos limites da expansão agrícola. Menos de 2,85% da área ocupada pelo bioma corresponde a unidades de conservação de proteção integral, que não podem ser usadas para atividade econômica. (Com informações da Revista Superinteressante)

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