Criada em 19/05/2017 às 00h24 | Política brasileira

Para economista, crise política que atinge o Brasil traz uma certeza para o segmento do agronegócio: aumento do custo

Para Antônio da Luz, consumo de alimentos, por conta da crise econômica, caiu de forma generalizada e esse custo não consegue ser passado para frente. Além disso, sem dinheiro privado, não é possível ter uma boa infraestrutura boa. "E privado, neste ambiente, não investe", afirma.

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Crise política poderia provocar efeitos colaterais no agro e ganhos com alta do dólar ficariam anulados por outros fatores (foto: Reprodução)

Ao comentar o cenário econômico diante da atual crise política, o economista da Farsul (Federação de Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul), Antônio da Luz, ressalta: a certeza que há para o agronegócio, porém, é o aumento do custo. Os preços das commodities sobem e descem com o câmbio, mas o preço dos insumos cai apenas lentamente.

Para ele, a crise política poderia provocar efeitos colaterais no agro e ganhos com alta do dólar ficariam anulados por outros fatores. Crédito caro, recuo nos investimentos, aumento nos custos de produção, medidas importantes para o agro paradas no congresso são apenas alguns pontos que, segundo o economista, podem prejudicar o setor.

ALTA DO DÓLAR

A alta do dólar deixou alguns produtores felizes, principalmente aqueles que exportam. O economista lembra que o dólar não tem limites, mas quer que os produtores reflitam que quando o câmbio passou dos R$4,00, o "ambiente político estava muito ruim", com um cenário econômico que possuía uma projeção de inflação a 11% ao ano, juros subindo e confiança do empresário em níveis negativos recordes.

O cenário político, entretanto, é parecido, mas o cenário econômico, não. Ele acredita que não há elementos para afirmar que o dólar pode chegar a R$4,00. Entretanto, diante das circunstâncias, já há um novo patamar de dólar no Brasil.

Ele destaca que o consumo de alimentos, por conta da crise econômica, caiu de forma generalizada, de forma que esse custo não consegue ser passado para frente.

Além disso, sem dinheiro privado, não é possível ter uma boa infraestrutura boa. "E privado, neste ambiente, não investe", diz o economista. "Estamos adiando, mais uma vez, a melhoria na nossa infraestrutura".

Luz salienta ainda que outros pontos, como a reforma da previdência, a reforma trabalhista e a MP do Fundo de Apoio ao Trabalhador Rural (Funrural) ficarão em espera neste momento. "O câmbio mais alto é bom por um lado, mas não vamos pensar que só tem lado bom", diz.

DEPRESSÃO ECONÔMICA

No que diz respeito à economia, ele lembra que o Brasil ainda está atravessando a maior depressão econômica da sua história, com 9 milhões de brasileiros procurando emprego e que "as coisas vinham começando a engrenar", em fatores como inflação e juros.

Para que essa situação de retomada de economia não se perca, há uma grande pergunta em questão: como o ambiente político pode ser separado do ambiente do econômico. Neste momento, o economista aponta que é difícil separar e que é muito complicado não esperar uma contaminação desse cenário, mas que há uma capacidade de recuperar.

A renúncia de Temer, para Luz, é um passo para a saída. No entanto, o substituto também seria importante. Para que o Brasil começasse a decolar, a renúncia seria necessária a partir de amanhã, com o Congresso Nacional abraçando um nome que fosse próximo do consenso e que desse segurança para o mercado. Para ele, um bom nome seria o atual Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que assumiria um papel de pacificação.

Na linha de sucessão, estaria o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM). Para Luz, isso faz parte das questões negativas do presidencialismo, já que Maia também está envolvido na Lava Jato e a economia não aguentaria um "terceiro impeachment".

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