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Quarta, 04 Janeiro 2017

Com aumento de 4,9% na produtividade, faturamento do país com a soja deverá atingir R$ 133 bilhões; produção de carne subirá 2%

Com aumento de 4,9% na produtividade, faturamento do país com a soja deverá atingir R$ 133 bilhões; produção de carne subirá 2%
No Tocantins, a quebra da safra passada chegou a 30%; já a fronteira agrícola do Matopiba calculou prejuízos na ordem de R$ 1,54 bilhão (foto: Mais Soja/Divulgação)

A produção brasileira de soja deve atingir 104 milhões de toneladas na safra 2016/2017, recorde histórico para a cultura, segundo números da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) repassados ao jornal O Globo. Com o aumento da produtividade, a previsão é de alta de 4,9% no faturamento, atingindo R$ 133,1 bilhões, apesar da queda das cotações no Brasil, puxadas pelas boas safras americana e argentina. Como boa parte da colheita de soja, assim como a do feijão, está concentrada no primeiro trimestre do ano, a expectativa é que o PIB do primeiro trimestre já reflita a boa safra.

 O clima vai ajudar na recuperação da produção agrícola que, diferentemente de 2016, terá chuvas mais regulares e o avanço do plantio dentro do calendário previsto. No ano passado, a safra de grãos teve sua maior queda em seis anos, ficando em 186 milhões de toneladas, devido à forte seca ou ao excesso de chuvas causadas pelo fenômeno El Niño, que prejudicou lavouras de diferentes regiões do país.

No Tocantins, a quebra da safra chegou a 30% e a região do Matopiba calculou prejuízos na ordem de R$ 1,54 bilhão.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que serão colhidas 213,1 milhões de toneladas de grãos este ano, um crescimento de 14,2% ou 26,5 milhões de toneladas em relação à safra anterior. Um recorde histórico para o país. Segundo o superintendente técnico da CNA, Bruno Lucchi, culturas de peso no agronegócio, como soja, milho, algodão, arroz e feijão deverão recuperar produção e área plantada.

SAFRA DE GRÃOS

A expectativa de uma safra recorde de grãos este ano levou economistas a apostarem no agronegócio como a salvação para que a economia brasileira não amargue o terceiro ano sem crescimento em 2017. O PIB (Produto Interno Bruto) do agronegócio, que representa quase um quarto (22%) do PIB nacional, deve crescer 2%, quase três vezes mais, segundo a Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Só o PIB agropecuário, que tem peso menor na economia, de 5%, deve crescer 4,2% este ano, depois de cair 6 % em 2016, segundo projeções do Santander.

CARNE BOVINA

A CNA também espera crescimento das exportações de carne bovina, principalmente para China e Hong Kong. Esses dois países compravam carne bovina da Austrália, mas diante da queda do abate nesse país e o dólar cotado entre R$ 3,10 e R$ 3,50, o produto brasileiro tornou-se mais competitivo. Só entre janeiro e setembro de 2016, foram exportadas 214 mil toneladas, o equivalente a US$ 750 milhões para Hong Kong. A previsão é que a produção de carne suba 2%, mas os preços devem cair 2,5%.

A perspectiva de um ano sem problemas climáticos melhoram as projeções para a inflação, aproximando-se do centro da meta definida pelo Banco Central, que é de 4,5%. A última projeção do Boletim Focus do Banco Central, divulgada segunda-feira, estima que o IPCA ficará em 4,87% este ano. "A tendência é que os preços não aumentem porque a oferta será grande. O risco é o câmbio. O cenário político conturbado pode vir a valorizar mais o dólar, aumentando os custos com fertilizantes. Se o dólar subir, o produtor exporta mais e tem de subir o preço no mercado interno porque a oferta local diminui", explica o engenheiro agrônomo e doutor em economia Geraldo Barros, que é coordenador científico e professor sênior da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da USP. (Com informações de O Globo e Notícias Agrícolas)

AS PRINCIPAIS CULTURAS

Feijão: Os preços não vão se manter nos níveis recordes registrados em 2016, mas o faturamento bruto vai crescer 19,8% em relação a 2016, atingindo R$ 10,1 bilhões, pelo aumento da área plantada e da produtividade.

Algodão e arroz: Os preços se manterão nos patamares médios de 2016, mas haverá expansão de área e elevação de produtividade.

Milho: Os preços serão inferiores aos observados em 2016, mas haverá aumento da área cultivada e da produtividade. Por isso, o faturamento vai crescer 7,6% em relação a 2016, atingindo R$ 54,4 bilhões.

Laranja: Expectativa de crescimento na produção, mas os preços ficarão nos mesmos níveis de 2016. O faturamento terá acréscimo de 7% em relação a 2016, atingindo R$ 6,2 bilhões.

Soja: Apesar da queda das cotações puxada pelas boas safras americana e argentina, a produção brasileira deve atingir 104 milhões de toneladas na safra 2016/2017, recorde histórico para a cultura. Com o aumento da produtividade, a previsão é de alta de 4,9% no faturamento, atingindo R$ 133,1 bilhões.

Café: É esperada queda de 6% no faturamento da cultura de café, apesar de previsão de alta na mesma proporção do preço do grão. É que a produção deve encolher 11,4%.

Trigo: A produção deve ser a mesma de 2016, de 6,34 milhões de toneladas, mas haverá redução do faturamento com a queda nos preços do cereal.

Leite: Embora a previsão seja de manutenção na oferta, os preços pagos aos produtores devem cair em relação a este ano, fazendo o faturamento encolher 4,6%.

Carne bovina: O crescimento estimado em 2% da produção de carne bovina não será suficiente para manter o faturamento, pois os preços devem cair 2,5% com a substituição por carne de frango e suína, que são mais baratas.

Norte Agropecuário

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