Criada em 15/02/2018 às 02h09 | Política brasileira

Após um ano e 94 dias, ministro vem ao Tocantins, deve anunciar benefícios, mas precisa responder: Por que projeto do Matopiba ruiu?

Blairo Maggi deveria ter vindo, em novembro de 2016 para lançar o Agro+TO, mas cerimônia na época foi adiada por conta de ação da PF no Tocantins. Produtores aguardam anúncio do titular do Mapa, que não impediu que projeto de desenvolvimento da fronteira agrícola fosse sepultado.

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A convite da Aprosoja e do governo do Estado, ministro da Agricultura, Blairo Maggi, é esperado no Tocantins nesta quinta-feira (foto: Agência Brasil/Arquivo)

Um ano e 94 dias depois de ter sua vinda adiada, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, enfim, deve desembarcar em solo tocantinense. A convite da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Tocantins (Aprosoja-TO) e do governo do Estado, o senador licenciado pelo Mato Grosso é esperado no final da manhã desta quinta-feira, dia 15, no município de Caseara (258 km de Palmas) para a abertura oficial do plantio de soja no Estado.

A última vez que havia previsão de sua vinda ao Tocantins foi em 29 de novembro de 2016, para o lançamento do programa “Agro+TO”, que prevê medidas para desburocratizar as demandas no âmbito da gestão estadual. Entretanto, na véspera da data, o Mapa decidiu cancelar a cerimônia por causa da repercussão negativa da operação “Reis do Gado”, da Polícia Federal, que mirou o Palácio Araguaia – o governador Marcelo Miranda foi alvo de condução coercitiva e seu irmão, José Edimar Brito Júnior, e o secretário de Infraestrutura, Sérgio Leão, foram presos. Eles foram liberados pela Justiça dias depois.

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CONFIRA OS DETALHES SOBRE O ADIAMENTO DO AGRO+TO EM 2016 

Mapa e Estado não se entenderam até o momento sobre responsabilidades em relação ao “Agro+TO”. Enquanto isso, o produtor do Tocantins segue sem benefícios do programa. Benefícios que não se tem nem mesmo conhecimento.

Em abril de 2017, o Norte Agropecuário fez ampla reportagem sobre os anseios de produtores e empreendedores do campo de vários segmentos e regiões do Estado. Em geral, os responsáveis pelo setor da economia que sustenta o Tocantins informaram que necessitariam do governo do Estado, entre outras coisas, redução da burocracia, infraestrutura mínima adequada, carga tributária justa e iniciativas para atrair indústrias, uma forma de o Estado não ser um mero produtor e passar a processar seus produtos, gerando mais empregos e renda.

OS ADIAMENTOS

Havia previsão de lançamento do Agro+TO na Agrotins em 2017, mas nem mesmo Blairo Maggi e o secretário-executivo da pasta, Eumar Novacki, comparecerem na feira, que pelo quinto ano consecutivo foi aberta em Palmas sem a presença do titular do Mapa.

Outro impasse envolvendo o programa foi a questão do plano de ação, o conjunto de medidas e propostas a serem desburocratizadas em benefício do produtor. O Mapa, em novembro de 2016, não havia feito nenhuma menção à necessidade deste plano para que o Agro+TO pudesse ser lançado no Tocantins.

Já, em 2017, o Mapa alegou que o motivo de o programa não ter sido viabilizado era o referido plano. A Secretaria de Agricultura do Estado, por sua vez, admitiu que não possuía o plano. Depois, informou ter elaborado o documento, mas não divulgou seu conteúdo até o momento.

PERGUNTAS SEM RESPOSTAS

No Tocantins, a expectativa é que Blairo Maggi “presenteie” os produtores com anúncios de benefícios. Mas, também terá perguntas a responder. A principal delas é: qual o motivo que o levou a não dar prosseguimento ao projeto de desenvolvimento do Matopiba, sepultado em sua gestão. 

Esperamos que, com a força e credibilidade da Aprosoja, o ministro traga boas novas aos produtores rurais do Estado, que estão ávidos por fatos e proposições concretas que se não ajudarem, pelo menos não prejudiquem e destravem as amarras da burocracia.

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