Criada em 02/01/2019 às 22h48 | Agronegócio

Líder ruralista vê 2019 com otimismo para o agronegócio, mas pondera: “precisamos ver os rumos que o governo irá tomar”

Ricardo Khouri aborda participação da Coapa no cenário produtivo tocantinense, as impressões em relação ao campo em 2018 e as perspectivas para este novo ano. “Será um ano de muito monitoramento e de produção de informação ao nosso cooperado”, declarou, em entrevista especial.

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Ricardo Khouri: “Estamos atentos à tensão diplomática entre os Estado Unidos e a China, que tem um impacto direto na exportação de soja. Será um ano de muito monitoramento e de produção de informação ao nosso cooperado” (foto: Divulgação)

Presidente da Cooperativa Agroindustrial do Tocantins (Coapa), o produtor rural Ricardo Khouri, fala com o otimismo e as boas expectativas em relação ao ano de 2019 para o agronegócio. Você também pode fazer o download de uma relação diplomática brasileira com os principais países parceiros comerciais do Brasil. “Estamos atentos à tensão diplomática entre os Estados Unidos e a China, que tem um impacto direto na exportação de soja. Será um ano de muito monitoramento e de produção de informação ao nosso cooperado ”, disse. 

Em entrevista, o livro abordou as expectativas em relação à Coapa, que terminou em 2018 duas décadas de fundação. O ano foi marcado por bons resultados na área econômica, como também nas diversas ações que integram os cooperados, a e a comunidade. Com uma fonte contínua, um Coapa tem construído, um passos largos, uma história de referência sem agronegócio da região Norte do país. Ao longo do ano, o presidente, Ricardo Khouri, destaca os avanços da cooperação pioneira e como perspectivas para o futuro.

FRED ALVES
DE PEDRO AFONSO (TO)

Como avalia a atuação da Coapa em 2018?

Ricardo Khouri: Este foi um ano emblemático por termos completados 20 anos de fundação da nossa cooperativa. Em que as duas décadas, o resultado agronómico e econômico da safra de 2017/2018 foi satisfatório e marcado uma tendência que já vem sendo observada há alguns anos: o crescimento no quadro social da Coapa, com novos cooperados ingressando no time.

Qual imagem um Coapa criou nessas duas décadas de história?

Ricardo Khouri: Para minha satisfação, dos fundadores e de todos que participam da vida societária da Coapa, criamos a identidade de sermos genuinamente uma cooperativa tocantinense que extrapolou os limites de Pedro Afonso. Hoje trabalhamos com um público externo que atesta que a Coapa é uma empresa que faz negócios limpos, dentro de uma conduta e princípios éticos, primando pela qualidade dos produtos ofertados ao cooperado, pontualidade nos compromissos financeiros e uma eficácia muito grande no processo comercial.

Como analisa a integração da Coapa com as comunidades das cidades onde atua?

Ricardo Khouri: Esse é um dos princípios cooperativistas. A Coapa valoriza a integração com a comunidade em que está inserida. Isso, algumas pessoas gostem ou não, é uma das nossas marcas e nunca iremos deixar essa característica. Somos e queremos ser uma cooperativa antenada, que vive os problemas das 13 comunidades em que está inserida, seja no aspecto municipal, regional e até estadual.

De que forma a atuação da Coapa impacta no desenvolvimento econômico dos municípios em que ela está inserida e na produção agrícola do Tocantins?

Ricardo Khouri: A cooperativa é um agente transformador. Ela faz isso de uma maneira muito eficiente e busca princípios sólidos de conduta, mas também funciona como um balizador de mercado, impondo tetos aos produtos e serviços oferecidos em todo o estado. Isso por estar de olho na eficiência econômica, mas também no atendimento às necessidades do cooperado. É necessário ter um desenvolvimento sustentável.

Essa atenção também existe em relação as questões ambientais?

Ricardo Khouri: Sim. Procuramos incentivar e propagar, através do nosso departamento técnico, práticas conservacionistas de solo e de água, inclusive fazendo parcerias com entidades públicas e privadas. Nossa preocupação é promover o desenvolvimento econômico sem perder de vista a questão ambiental. Eu asseguro que o desenvolvimento da região esta intimamente ligado a performance da Coapa.

Durante o ano de 2018, a Coapa investiu bastante na troca de experiências com outras cooperativas. Esse intercâmbio teve resultados práticos?

Ricardo Khouri: Temos buscado boas práticas observadas em qualquer lugar do mundo, principalmente nas regiões mais desenvolvidas, que puderam ser transportadas para nossa realidade, principalmente através de uma parceria com o Sescoop/TO [Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo no Tocantins]. Visitamos cooperativas brasileiras e também realizamos missões internacionais nos Estados Unidos, Bélgica e Alemanha. Já implantamos técnicas de produção, programa de fidelização e exemplos de boa gestão e governança.

A Coapa investe bastante em novas tecnologias para levar conhecimento ao homem do campo, como exemplo temos as pesquisas com variedades de soja e milho, além da realização da Jornada Tecnológica. Quais resultados dessas ações?

Ricardo Khouri: Eu vejo a Jornada Tecnológica por duas vertentes. A primeira que fortalece a relação entre a Coapa e os fornecedores. Já a outra característica é o ensaio de cultivares, que possibilita manter ótimos níveis de produtividade ou pelo menos proporcionar ao cooperado, informações confiáveis sobre produtos e variedade de soja e outros grãos.

Quais são as expectativas para a safra 2018/2019?

Ricardo Khouri: A gente teve uma instabilidade de chuvas, com baixo nível registrado em dezembro, o que faz com que a gente tenha um ano tenso, com fortes emoções, como é a vida do produtor. Estamos acompanhando o mercado e já temos cerca de 35% a 45% da produção negociada a um preço bom. Agora, precisamos ver os rumos que o governo brasileiro irá tomar. Estamos atentos à tensão diplomática entre os Estado Unidos e a China, que tem um impacto direto na exportação de soja. Será um ano de muito monitoramento e de produção de informação ao nosso cooperado.

Para o ano de 2019 à cooperativa pretende investir em seu armazém. O que esperar dessas melhorias?

Ricardo Khouri: A gente aguardou o momento mais adequado, e agora estamos investindo R$ 6 milhões na nossa estrutura de armazenagem, um investimento que possibilitará uma melhor prestação de serviços na recepção, secagem e armazenamento da produção beneficiando nosso cooperado. Deste modo, as linhas de produção tendem a funcionar de forma mais dinâmica, possibilitando uma maior eficiência no período de recebimento da colheita. Paralelo a isso, estamos vendo a possibilidade de arrendar um outro armazém para receber grãos de soja e de milho ao mesmo tempo. A Coapa estará preparada para dar suporte a qualquer planejamento do seu cooperado.

Como o senhor imagina a Coapa nos próximos anos?

Ricardo Khouri:  Nós estamos caminhando e largando os passos, conquistando uma solidez no mercado tocantinense, mais acabamos na região Norte do país, dominamos a cadeia no setor primário, e partimos implementando uma excelência no atendimento ao cooperado. A chegada de uma hora de termos um plano para uma próxima década de transformar uma proteína que temos hoje em proteína animal, por meio de uma indústria para aves e suínos. Nos próximos anos, nos dedicaremos na criação de agroindústrias para a nossa produção, criando uma indústria para a fabricação de farinha e farinha de mandioca. É o tipo de iniciativa que beneficia o pequeno, médio e até o agricultor empresarial. Queremos ser uma cooperativa transformadora.

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