Criada em 23/03/2018 às 13h07 | Política brasileira

Crise política faz setor produtivo redobrar atenção, diz ruralista, que prega: “precisamos de segurança jurídica e administrativa"

Presidente da Coapa, Ricardo Khouri, lamentou a crise que interrupção da gestão estadual pela terceira vez em menos de dez anos. “Isso causa estranheza muito grande no público fora do Estado, que é o público que atuamos”, disse. Uma das preocupações é com os rumos da política tributária.

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Khouri sobre taxar exportações de produtos primários: “O governo voltou atrás e decidiu não cobrar, mas a gente redobra as atenções para que novas tentativas sejam feitas” (foto: Coapa/Divulgação)

Um dos principais líderes do setor agropecuário da região do Mtopiba, o presidente da Coapa (Cooperativa Agroindustrial do Tocantins), Ricardo Khouri, lamentou nesta sexta-feira, dia 23, que o Estado tenha sofrido a terceira interrupção de gestão do Palácio Araguaia num intervalo de menos de nove anos, com reflexos para todos os setores. “A interrupção da gestão impacta e gera um "estresse" na continuidade nas ações governamentais. Isso impacta a todo nós. A gente só tem a lamentar a descontinuidade de ações que interferem na vida do cidadão”, disse. 

A pedido do Norte Agropecuário, Khouri fez avaliação do cenário político no Estado e os impactos para o setor agrícola, que é o responsável pelos números positivos da balança comercial tocantinense. O Norte Agropecuário também questionou outras entidades, mas ainda não se manifestaram.

Nessa quinta-feira, dia 22, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassou o mandato do governador do Tocantins, Marcelo Miranda, e da vice, Cláudia Lélis, por crime de "caixa dois" na campanha política de 2014. Nova eleição será feita antes mesmo do pleito de outubro.

Para ele, o setor produtivo, como um todo, sofre as consequências. “O que nos causa preocupação e apreensão é que pela terceira vez sofremos interrupção de governos. Isso causa estranheza muito grande no público fora do Estado, que é o público que atuamos”, disse, se referindo ao fato da perplexidade com a insegurança jurídica no Estado de investidores de outros Estados e países que compram os produtos agrícolas produzidos no Tocantins.

Ele se refere aos pleitos de 2009 que elegeu Carlos Gaguim governador após a cassação do mesmo Marcelo Miranda e de 2014, que elegeu Sandoval Cardoso, ambos casos por eleição indireta. 

POLÍTICA TRIBUTÁRIA

Na parte prática, para Khouri, uma das preocupações no momento é com relação à política tributária do Estado. “Recentemente, um impacto direto no setor produtivo foi a tentativa de cobrança alíquota de ICMS aos produtos primários para exportação. Isso seria contraproducente. O governo voltou atrás e decidiu não cobrar, mas a gente redobra as atenções para que novas tentativas sejam feitas”, declarou.

Ele também abordou a questão da arrecadação e fiscalização já que é período de colheita da soja no território tocantinense. “Entre os impactos para a classe, no momento, está a parte fiscal, em plena época da colheita de safra [de soja]. Esse serviço já vem funcionando precariamente e uma interrupção do governo acaba prejudicando. A gente torce para que não prejudique nesse aspecto também”, disse.

A GESTÃO MARCELO

Questionado sobre como foi a gestão Marcelo Miranda para a classe produtora do Estado, Khouri reconheceu que foi “pautada pelo diálogo”, porém, sem muitas ações concretas na melhoria para o setor. “Marcelo Miranda sempre foi um chefe de Executivo que procurou ouvir a classe produtora. Muito embora [não houve], ações concretas na melhoria de produções, mas sempre disposto ao diálogo. A gente torce para a sucessão mantenha essa linha”, comentou.

Em julho do ano passado, o  Norte Agropecuário divulgou que produtores esperavam do governo do Estado menos burocracia, infraestrutura, carga tributária justa e atração de indústrias (clique aqui e leia a reportagem na íntegra)

PERSPECTIVAS

O presidente da Coapa afirmou ainda que chegou a hora do cidadão tocantinense “tenha o sentimento de mudança”. “Não vamos buscar culpados. É a hora de todo o cidadão tocantinense se imbuir do sentimento de tentar mudar, virar e reverter a forma de fazer política, as tratativas, enfim, uma verdadeira filtragem e reciclagem”, disse. “É preciso apostarmos em candidatos comprometidos com o novo tempo no Tocantins, para que tenhamos a sensação de segurança jurídica e administrativa. Com isso, criaremos ambiente harmonizado para a produção e população”, complementou.

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